domingo, 24 de junho de 2012

Da ILUSTRÍSSIMA (Folha de São Paulo)



Três poemas
ANTONIO CICERO

Desejo
Só o desejo não passa
e só deseja o que passa
e passo meu tempo inteiro
enfrentando um só problema:
ao menos no meu poema
agarrar o passageiro.

Valeu
Vida, valeu.
Não te repetirei jamais.

Aparências
Não sou mais tolo não mais me queixo:
enganassem-me mais desenganassem-me mais
mais rápidas mais vorazes e arrebatadoras
mais volúveis mais voláteis
mais aparecessem para mim e desaparecessem
mais velassem mais desvelassem mais revelassem mais revelassem
mais eu viveria tantas mortes
morreria tantas vidas
jamais me queixaria
jamais.

SOBRE OS POEMAS Os textos inéditos aqui publicados pertencem à coletânea "Porventura", que Antonio Cicero lança em julho, pela editora Record.

Da ILUSTRÍSSIMA (Folha de São Paulo)


O russo e o bruxo
Nabokov e Machado têm muito em comum

RESUMO O professor irlandês Brian Boyd faz aproximações entre as obras de Vladimir Nabokov e Machado de Assis. Publicado na íntegra pela revista "Serrote" no 11, que chega às livrarias no sábado (30), o texto afirma que, fosse Machado mais conhecido em seu tempo, teria influenciado escritores como o autor de "Lolita" ou James Joyce.

BRIAN BOYD
TRADUÇÃO ALEXANDRE BARBOSA DE SOUZA E BRUNO COSTA


FIQUEI SABENDO DO grande romancista brasileiro Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) pelo entusiasmo que [o escritor americano] John Barth nutria por ele e comprei uma série de seus romances em 1975, antes de trocar Barth por Nabokov como tema de minha tese de doutorado.
O escritor brasileiro e especialista em mídias sociais Claudio Soares, que se inspirou em "Fogo Pálido", de Nabokov, e em meu site AdaOnline para escrever seu romance hipertextual "Santos Dumont Número 8", me escreveu perguntando se por acaso Nabokov conhecera Machado. Eu mal havia sorvido um gole das águas borbulhantes porém amargas de Machado, mas respondi que, até onde eu sabia, Nabokov nunca tomara conhecimento da existência de Machado, mas teria gostado dele.
Soares organizou um encontro em que eu faria uma palestra na Academia Brasileira de Letras, da qual Machado de Assis foi presidente e fundador, em 17 de setembro de 2009. Eu havia sugerido de modo precipitado que poderia falar sobre Nabokov e Machado e, à medida que a data se aproximava, tive de devorar Machado em grandes bocados. Que banquete! Na minha opinião, ele tem seu lugar entre os grandes escritores de ficção da segunda metade do século 19. Teria influenciado Joyce a escrever de forma diferente. [...]
Vladimir Nabokov, pelo que sei, não tinha conhecimento da existência de Machado de Assis. Se ele o tivesse lido, certamente teria dito isso de modo inequívoco e o teria classificado entre os mais importantes escritores de ficção do século 19, ao lado de Dickens, Flaubert e Tolstói.
Nabokov gostava de afirmar que, depois de sua obra juvenil, nunca foi influenciado por ninguém. Se Machado fosse tão conhecido fora do mundo lusófono, como ele merece, os críticos teriam, sem dúvida, reconhecido sua influência sobre Nabokov.
Como prova das semelhanças surpreendentes na obra de ambos, e desconsiderando o pequeno detalhe de que Nabokov nada sabia de Machado, tais críticos poderiam ter decidido mais em favor de Machado do que aqueles que têm proposto Púchkin, Gogol, Tolstói, Joyce, Proust, Kafka como influências de Nabokov.
O brasileiro e o russo quase poderiam ter imaginado as obras um do outro: Nabokov poderia facilmente ter desenvolvido as ideias por trás de histórias de Machado, como "Primas de Sapucaia!", "Último capítulo" e "D. Paula", assim como Machado poderia ter como premissas as ideias por trás de histórias como "Uma História para Crianças", "Uma Questão de Honra" ou "Lábios nos Lábios" [os três integram o livro "Contos Reunidos", de Nabokov, que a Alfaguara lança em novembro].
Nabokov fez uso repetidas vezes do paradoxo central do romance inovador de Machado "Memórias Póstumas de Brás Cubas", narrado de além-túmulo. Na novela de Nabokov "O Olho", Smurov, o narrador, conta no início da história que cometera suicídio, mas prossegue a narrativa. Em "Transparent Things", o narrador é um romancista que morre no curso da história e saúda o herói no limiar da morte na última linha.
Em "Look at the Harlequins!", o narrador cita um pequeno verso, "O eu do livro/ não pode morrer no livro", mas descreve um delírio que dura três semanas, no qual ele se sente como numa travessia pela morte, não muito diferente da visão delirante e extemporânea ao tempo humano que Brás Cubas sofre pouco antes de sua morte. [...]
Nabokov teria ficado impressionado com o Machado escritor, ainda que pudesse ter se frustrado algumas vezes ao descobrir que fora superado na elaboração de ideias que poderia ter usado. Ele teria gostado de saber que Machado tinha rica ascendência africana.
Em 1942, Nabokov palestrou em uma faculdade de mulheres negras, em Atlanta, em meio à segregação do sul dos Estados Unidos, e encantou o público ao falar de Púchkin e do orgulho que Púchkin tinha de sua oitava parte de ascendência africana. Contou que Púchkin, o maior poeta desde Shakespeare, "oferece um dos exemplos mais marcantes de humanidade, em que a mistura de raças é permitida". [...]
Poderia me divertir por uma hora apenas tirando coelhos verbais da cartola para ilustrar os momentos em que Machado e Nabokov parecem fazer parte do mesmo número de mágica.
APARTES A ficção autoconsciente se estende, pelo menos, desde Luciano [c. 120-c. 180] e Apuleio [c. 124-c. 170], passando por Cervantes [1547-1616] e Sterne [1713-68] até o pós-modernismo, mas Machado e Nabokov parecem particularmente próximos em seus rápidos apartes cômicos dirigidos aos leitores.
No início de "Lolita", Humbert escreve que de alguma forma sentira que Lolita estava pronta para ser beijada por ele: "Não tenho como dizer a meu douto leitor (cujas sobrancelhas, suspeito, a essa altura já devem ter ultrapassado o topo da sua calva), não tenho como dizer-lhe de que modo essa certeza me ocorreu". Em um estágio muito mais avançado da perseguição a Lolita, Humbert apela de um jeito divertido a uma parte da plateia: "Frígidas senhoras do júri!".
Os narradores de Machado, também, dirigem-se a leitores ora masculinos, ora femininos, segundo o contexto ou o impulso. Embora Nabokov tenha a reputação de provocar o leitor, Machado repreende muito mais abertamente seus maus leitores imaginários ("O maior defeito deste livro és tu, leitor"; "Valha-me Deus! é preciso explicar tudo?") -e assim instrui, diverte e lisonjeia seus bons leitores.
Tanto Machado quanto Nabokov extraem à força a comédia, o drama e as revelações psicológicas dos processos de composição e publicação do narrador. Bento Santiago confessa, quando o controle sobre a própria história começa a lhe escapar: "Aqui devia ser o meio do livro, mas a inexperiência fez-me ir atrás da pena, e chego quase ao fim do papel, com o melhor da narração por dizer".
Humbert escreve, em mais um de seus momentos de desespero: "Acho que não consigo continuar. Coração, cabeça -tudo. Lolita, Lolita, Lolita, Lolita, Lolita, Lolita, Lolita, Lolita, Lolita. Repita até encher a página, impressor." Brás Cubas nota: "Convém intercalar este capítulo entre a primeira oração e a segunda do capítulo 129". [...]
Machado e Nabokov tornam seus leitores conscientes do livro como livro. Tolstói pode evocar a beleza de Natasha ou Anna em um baile, mas apenas Machado poderia escrever de Sofia: "Sofia estava magnífica. Trajava de azul-escuro, mui decotada, -pelas razões ditas no capítulo 35."
Como Machado, Nabokov era inimigo da pena de morte. E começa "Invitation to a Beheading" com a declaração da sentença de morte do herói, de acordo com o costume daquele mundo assombroso, com a precisão de um pesadelo, em um sussurro. O segundo parágrafo se inicia assim:
"Então nos aproximamos do fim. A mão direita, a parte ainda não provada do romance, que, durante a nossa deleitável leitura, sentimos levemente, testando de modo mecânico quanto ainda resta ler (e nossos dedos sempre contentes com a plácida e confiável espessura), de súbito, sem qualquer razão aparente, fica bastante escassa: com mais uns poucos minutos de leitura rápida, já estamos ladeira abaixo, ó horror."
Em Machado e Nabokov, a subversão e o aniquilamento das convenções indicam uma inteligência cética e independente que pode também ser direcionada aos desafios das convenções e pretensões extraliterárias. Ambos podem ser causticamente críticos e mordazes em sua ironia. Machado pode não ser exatamente o "pessimista rabugento" que Brás Cubas se autodenomina, mas permanece sempre alerta às ironias e imperfeições da vida por trás dos lugares-comuns e práticas aceitas. A visão que Nabokov tem da vida também pode parecer sombria e impiedosa.
Um crítico, reagindo ao seu primeiro grande romance russo, "The Defense", escreveu: "Que terrível, ver a vida como [Nabokov] a enxerga"; e no posfácio de seu primeiro grande romance em inglês, "Lolita", Nabokov conta sobre a preocupação de um amigo com o fato de ele viver "cercado de pessoas tão deprimentes".
CRUELDADE Tanto Machado como Nabokov detestavam a crueldade o bastante para representá-la em seu horror mais brutal, nas vivissecções apavorantes, primeiro de ratos, depois de prisioneiros e, em seguida, de filósofos no "Conto Alexandrino", de Machado de Assis, ou na apavorante tortura sem sentido, de mau gosto e agonizante do filho do herói no desfecho de "Bend Sinister", de Nabokov.
Tanto Machado como Nabokov podem basear sua ficção nas circunstâncias e pormenores de seus mundos, embora também possam passar a qualquer momento a um panorama distanciado da aparente solidez das situações de suas personagens. Machado escreve sobre a heroína de Quincas Borba:
"Sofia meteu a alma em um caixão de cedro, encerrou o de cedro no caixão de chumbo do dia, e deixou-se estar sinceramente defunta. Não sabia que os defuntos pensam, que um enxame de noções novas vem substituir as velhas, e que eles saem criticando o mundo como os espectadores saem do teatro criticando a peça e os atores."
O especialista em Nabokov Alfred Appel Jr., que se tornou amigo de seu ex-professor, contou a Nabokov que encenou um espetáculo de marionetes para seus filhos e capturou a expressão de horror e hilaridade em seus rostos quando, em meio ao clímax da história, ele derrubou o palco da encenação em que eles estavam tão absortos -uma mudança de perspectiva que ele achava semelhante à que os leitores enfrentavam nos textos de Nabokov. Nabokov lhe disse: "Você deve colocar isso em seu livro". [...]
Tanto Machado quanto Nabokov são capazes de retratar vividamente as deficiências humanas, a transitoriedade da vida humana e a pequenez de nosso mundo em uma perspectiva além da que a nossa imaginação humana pode prontamente adotar. Ambos tiveram uma independência intelectual que os fez resistir aos lugares-comuns de suas épocas, no entanto, mais que isso, eles fizeram avaliações diferentes quanto ao lugar definitivo da vida humana, embora muitas vezes tenham usado recursos semelhantes.
Machado, sem as esperanças metafísicas e o confiante maximalismo de Nabokov, viveu em um mundo mais sombrio, mas ambos defenderam valores como amor, generosidade, trabalho, diversão e arte, valores humanos comuns que ambos souberam transformar em obras de arte muito semelhantes e muito diferentes e de mestria incomum.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

De Dante Milano (Rio de Janeiro, 1899-1991)


"Cala, poesia,
 A dor dos homens não se pode exprimir em nenhuma língua."

Da fotógrafa Camila Cavalcante (na Ásia, atualmente)



Arriete Querida,

Tem lugar para mim no Grupo de Leitura e Escrita Criativa a partir de setembro? :)
Sim, estarei de volta (com meu namorado Rob) por uma temporada de um ano em Maceió a partir de setembro. Há uma pequena chance de só acontecer em novembro, mas eu queria lhe falar logo. Estou muito feliz em voltar para casa!

E aí, vamos encarar Dom Quixote?

Beijo grande e muita saudade

Camila


quarta-feira, 13 de junho de 2012

FILME SOBRE UNIVERSO DE ARRIETE VILELA SERÁ FILMADO EM PENEDO E MACEIÓ

Personagens de MARIA FLOR ETC viram "estrelas de cinema" no filme 

                            FARPA     (www.pananfilmes.com.br)


 














POEMA 28

                   Arriete Vilela

Tivesses menos olhares no próprio olhar,
e não te importarias de estar sempre
no preto e branco dessa felicidade relativa.

Tivesses menos desejos no coração,
e acharias bom sentar-te à porta de casa,
desde cedinho até o último raio de sol
- um Sísifo às avessas -,
apenas para saudar os viajantes.

Tivesses menos palavras entre os dedos,
e passarias à margem das metáforas,
satisfeito de somente entender
a obviedade da vida e das coisas.

Tivesses menos amor a ti mesmo,
e não temerias o salto sobre o abismo
a despedaçar-te em versos.

                   -----------------

Poema lido pela juíza Sara Vicente, no VII Congresso Brasileiro de Direito do Trabalho.

Do prof. dr. Antonio Donizeti


Estimada Arriete Vilela,

Tudo bom? Aqui tudo bem e estou na organização do evento da Unioeste - 15ª Jornada de Estudos Linguísticos e Literários que ocorrerá de 20 a 23 de junho do corrente. (www.15jell.com.br)
Segue, em anexo, o texto completo com os artigos da Revista Teoria do Texto Poético, e, junto ao texto, o artigo que escrevi sobre sua poesia.
Minha orientando Giancarla Bombonato, do Mestrado em Letras da Unioeste, está escrevendo a dissertação de mestrado em um estudo comparado de sua obra com a da Berta Lucía Estrada E., da Colômbia, e que estará no evento.
Este ano a minha orientanda do PDE - A Professora Eliamar Xavier de Oliveira, que reside em Toledo, PR, irá trabalhar, estudar a sua obra poético - no programa de PDE do Estado do Paraná. Gostaria de saber como conseguir o livro Obra Poética Reunida -  já que ela irá trabalhar com os alunos sua obra poética e também o livro Luares para o Amor não naufragar,  publicado esse ano.
Estudando e desenvolvendo o projeto, as unidades didáticas e o artigo final, o governo do Paraná solicita que os autores autorizem, mediante cessão de direitos, a autorização de que o aluno PDE possa trabalhar e publicar alguns poemas de que farão estudo, tendo em vista a publicação futura dos artigos, que serão disponibilizados para todos os professores do Estado do Paraná e Brasil. 
Seria possível essa sua autorização?  Lógico que depois minha orientanda Eliamar entrará em contato.

Um grande abraço,
Antonio Donizeti
(Prof. dr. da UNIOESTE – Paraná)

ALZIRINHA vai à Escola Estadual Dr. Afrânio Lages


domingo, 3 de junho de 2012


Filme sobre universo de Arriete Vilela será filmado em Penedo e Maceió


A cidade de Penedo (AL) foi escolhida para a primeira etapa de gravação de Farpa, filme de ficção de Henrique Oliveira, baseado no universo feminino criado pela escritora Arriete Vilela. As filmagens serão realizadas a partir do dia 04 de junho em várias locações dentro do ambiente rural e urbano de Penedo. A segunda etapa de gravação será realizada em Maceió a partir do dia 07 de junho.

Farpa apresenta a história de mulheres que na luta diária pela superação dos conflitos encontrados no cotidiano, tornam-se vítimas de sua feminilidade, restando a cada uma delas um caminho tortuoso e traiçoeiro. A proposta de adaptar o universo criado pela escritora e professora alagoana Arriete Vilela em seu livro Maria Flor e etc, deu origem ao roteiro de Farpa, criado por Patrícia Mess e Henrique Oliveira que foi contemplado no 2º Prêmio de Incentivo a Produção Audiovisual Alagoana.

Sobre Panan FilmesComo produtora a Panan Filmes realiza documentários, ficções e videoclipes, seu primeiro trabalho foi 19:45h horário de Brasília realizado em 2008. Realizou videoclipes para as bandas alagoanas Gato Zarolho e Palhaço Paranóide e para a cantora alagoana Fernanda Guimarães. Foi produtora do documentário Cia. do Chapéu (2011) contemplado com o prêmio de melhor montagem na 2ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano.


TUDO NA HORA - 02/06/2012 Da Redação, com Assessoria

Poema 25 - Arriete Vilela



POEMA 25

                        Arriete Vilela


O Poema não devia esfolar a Palavra
que há dentro de mim,
pois se destrançam, assim, os fios de sisal
que prendem memória e realidade.

O Poema devia aliviar essa fascinante
e atormentada relação com o que sou,
com o que não sou,
numa dualidade quase fluida,
quase erótica.

O Poema não devia deserdar-me
do sonho comum,
das pessoas com seus olhos de isca
e de fastio.

O Poema devia esvaziar-me da Palavra
e de suas resistências,
para que eu seja apenas devaneio
à-toa.

                   ----------------

(Do livro Luares para o Amor não naufragar, 2012)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Arriete Vilela: artesã da palavra - Neide Medeiros


        
             Arriete Vilela: artesã da palavra

                                           (Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

            Não escolhi números para a minha vida. Escolhi a poesia. E quando escrevo, alheio-me, à maneira da avó, de tudo o mais. Concentro-me unicamente no prazeroso (e difícil) trabalho de transformar a minha alma enrodilhada numa alma rendilhada.
            (Arriete Vilela. Alma enrodilhada, alma rendilhada).

            Arriete Vilela é alagoana de Marechal Deodoro, professora e escritora. Transita com maestria por vários gêneros literários: poesia, crônica, conto, romance, memórias, literatura infantil. 
           Graduada em Letras pela Universidade Federal de Alagoas, fez Mestrado em Literatura Brasileira na UFPB, João Pessoa, no Curso de Pós-Graduação em Letras, defendendo, com louvor, a dissertação – A revista NOVIDADE: contribuição para o estudo do Modernismo em Alagoas, trabalho que recebeu a orientação do professor Neroaldo Pontes de Azevedo. 
 Publicou o romance – Lãs ao vento em 2005. Com este livro, ganhou o prêmio Lúcia Aizim da União Brasileira dos Escritores do Rio de Janeiro. A apresentação do livro foi da professora Sônia Van Dijck com o título – As faces da palavra.    
             Da sua permanência em João Pessoa, na época que cursava o Mestrado, conserva boas amizades e aqui lançou livros de poesia na Galeria Gamela. Durante a realização do I CONALI – Congresso Nacional de Literatura (3, 4, 5 e 6 de junho), a escritora lançará dois livros – Luares para o Amor não naufragar (poesia) e Alzirinha (literatura infantil).
            Em 2005, no dia 8 de março, data consagrada à mulher, a escritora recebeu a Comenda Dra. Nise da Silveira, outorgada pelo Governo do Estado de Alagoas.  Esse prêmio representou o coroamento de uma vida dedicada à literatura e às causas sociais e femininas.
            Na poesia e na prosa, Arriete se revela uma artista múltipla. Muitos dos seus livros denotam a preocupação com o fazer literário, a luta com as palavras. Em outros, evidenciam-se as memórias da infância, as reminiscências do passado, a preocupação com os aspectos sociais. São textos sempre cheios de ternura e de muita dor. 
            Alzirinha (2012) não é a primeira incursão da autora no reino infantil, há outros livros que trazem a infância para o universo ficcional e lembramos Grande baú, a infância (2009), reunião de 28 contos. Cada conto se inicia com a epígrafe de uma cantiga de roda. 
            Nos poemas, contos, crônicas, romance e literatura infantil, a palavra é a âncora que guia o destino do texto. No seu fazer literário, constata-se a busca pela perfeição da linguagem, pela palavra capaz de “ser argamassa para assentar a alvenaria”. É uma escritora/artesã das palavras.
            Luares para o Amor não naufragar (2012) é um livro de pequeno formato, lembrando-nos telas de tamanho reduzido.  Como um trabalho meticuloso de um pintor, a poeta vai tecendo os fios das palavras e os poemas vão brotando como as flores da primavera. São 45 poemas que falam de amor, de paixão e de silêncio.  Sente-se a presença da intratextualidade e alguns poemas dialogam com outros textos da autora. Esses versos comprovam as rendilhas de suas próprias palavras: “Faço de mim/ um mosaico de textos e subtextos” (Poema 26, p.45).
            Alzirinha (2012), primeiro livro totalmente dedicado à infância, conta a história de uma menina que conviveu de modo muito fraterno com o avô Luiz e com a avó Zizi.
            O livro é rico em diálogos. Alzirinha está descobrindo o mundo e vovô Luiz, o fazedor de brinquedos, estava sempre construindo alguma coisa nova para os netos. Os brinquedos não tinham o requinte dos brinquedos das lojas especializadas, mas “carregavam uma tal afetividade que as crianças ficavam absolutamente fascinadas”.  (p. 13)
            E as histórias contadas por vovô Luiz? Ah! Geralmente eram histórias tiradas de dentro do livro. Os livros vinham emprestados da biblioteca do colégio das freiras ou adquiridos na Livraria Castro Alves, e a menina sentia que, muitas vezes, as histórias contadas  não estavam dentro do livro, estavam na boca do avô. Estas tinham um encanto especial, vovô Luiz era mesmo um avô “ideoso”. 
              Na última página do livro, vem esta revelação:
            “Alzira Freire, nos seus quase 50 anos, ainda tem muito de Alzirinha. Pode parecer estranha a quem não possui imaginação, mas é uma das pessoas mais interessantes que conheço”. (p.62)
            O mais deixo para o leitor descobrir.